Naquela hora eu estava sentada no balcão com a Menina. Bonita, inteligente... das minhas. Tínhamos acabado de nos conhecer, e nesse caso não havia muitos assuntos a se conversar. E foi exatamente nesse primeiro momento de silêncio que ele veio, sorrateiro. Se enfiou entre as duas e começou. Se dirigia a nós como se já nos conhecesse e só vinha nos dar um aviso.
-Vou dizer uma coisa pra vocês que são jovens e bonitas: Não há nada melhor na vida do que permitir. Permita o outro! Só vim mesmo para passar esse recado.
E saiu.
Foi bem aquela coisa cinematográfica, de frases de impacto antecedendo uma saída. E o efeito foi o mesmo, deixar algo para reflexão.
A Menina bonita estava olhando para mim com uma cara de quem procurava saber o real significado do que ele quis passar com essa aparição repentina. E acho que esse olhar era reciproco.
E aquilo ecoava em minha cabeça. "Permita o outro!". Mas em que sentido?
A Menina bonita tinha opinião que fazia sentido. Todo sentido do mundo! Chegando até a ser clichê.
Dizia que não podemos nos fechar as pessoas e devemos permitir que elas entrem em nossas vidas e deixem o que tem a deixar.
Mas não poderia ser somente aquilo. Ele era diferente, impossível que uma pessoa diferente me diga algo tão igual.
E junta tudo, todos e todas as formas de vida que existem em minha cabeça, para que juntas chegarem a uma conclusão. Assim poderia mudar de assunto e continuar a conversar com a Menina bonita.
As conclusões não fizeram sentido algum. Mas nem precisam, não vou usa-las. Acho mais fácil a explicação da Menina bonita.
Queria voltar lá e dizer para ele que eu já faço isso. Eu permito!
Permito que entre. Permito que fique. Permito que deixe. |Permito que peguei. Permito que sinta. Permito que marque. Permito que saia.
Permito você.
Mas não garanto que me permitirei. E espero que a Menina bonita entenda.
Entenda que tudo é talvez.
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