Boa noite
22/04/2013
Venho levantando
fatos em minha mente, e hoje vou escrever uma das conclusões que posso ter tido
depois desses levantamentos.
·
As pessoas gostam, precisam e não param até
serem notadas. Desde uma forma de se vestir, até atitudes drásticas.
Posso até expor aqui como um
exemplo, uma manifestação ocorrida a mais ou menos um mês na Escola Estadual de
São Paulo, minha antiga escola.
Essa manifestação foi
fundamentada por um equívoco no remanejamento das salas. A nova estrutura das
classes foi totalmente reformulada e os alunos que tivessem mais de dez faltas
consecutivas seriam considerados como ‘abandono’ e consequentemente perderiam a
vaga.
Muitos alunos, como eu, ao ver que seus nomes não estavam mais na lista,
logo concluíram que a vaga foi perdida. Isso causou um grande alvoroço, afinal,
grande parte dos alunos tinha um número considerável de faltas devido à emenda
do carnaval. Somadas essas faltas, desde o início das aulas até o fim do
carnaval, foram exatos 11 dias consecutivos.
Surge, então, uma massa de alunos enfurecidos atrás da solução e
gritando pelos seus direitos, afinal eles tinham sido lesados repentinamente,
pois no dia anterior teve aula normal. A solução mais viável para um problema
deste porte seria aguardar uma solução vinda da secretaria. Contudo, os alunos, cegos, tomados por uma
raiva, a meu ver, desnecessária, tomam uma postura extremamente vândala, que logo
tomou força e foco: Destruir a escola.
Creio que a intenção era chamar a atenção da cúpula escolar para a força
que a união dos alunos tinha.
Pois foi a partir daí que a rebelião começou. Começou a típica quebra
dos vidros da escola, os típicos incêndios dos baldes de lixo... O típico ritual de destruir o próprio ambiente
escolar.
Não contentes com a destruição interna, decidiram quebrar as fronteiras
e ampliar os limites da manifestação. Decidiram sair, e levar a revolta com
ele, para além das dependências da escola, e Avenida do Estado, uma das maiores
da região, que se localiza atrás da escola,
foi o alvo dessa expansão.
Os alunos que tomaram a frente saíram com cadeiras e baldes se enfiando
dentre os carros até para-los para, simplesmente, ficar gritando suas frases de
impacto, que sinceramente, nem me lembro. E enquanto isso o restante dos
rebeldes ficavam olhando, admirados, o ato de coragem de seus companheiros. Mas
não olharam, nem por um segundo, para as pessoas que, provavelmente, estavam
indo para o trabalho ou para casa e por conta dos revoltados estavam paradas no
trânsito.
Uma minoria, na qual eu fazia
parte, só ficava observando e se perguntando: Essa manifestação é válida?
Bom... O problema, no meu caso,
foi resolvido da seguinte forma:
- Bom dia, meu nome é Talita
Martins Cruz, e gostaria de saber se sou um dos alunos que perdeu a vaga.
- Só um minutinho.
- Ta ok.
- Olha Talita, seu nome, que
estava no terceiro E n° 37, agora, depois do remanejamento, está no terceiro A
n° 39.
- Ah, sim. Obrigada.
A manifestação é
válida?
Desnecessária, porém, válida! Não para esse fim, não para
essa manifestação. Mas para, talvez, algum problema futuro deste porte que,
provavelmente será evitado. Afinal, se até mesmo eu não achei agradável toda
essa manifestação, creio que a secretaria também não se interessou. Não pelos
mesmos motivos, claro. Na realidade
secretaria é apenas um item da cúpula administrativa daquela escola, a
hierarquia começa pela Secretaria da educação, que é a mandante de toda a
cidade e fica à cerca de 10 minutos dali. As informações não demoraram muito
mais que esse tempo para chegar até lá, e diante do declínio que a escola vem
tendo de um tempo para cá, só foi um pouco mais de merda no ventilador. A
‘comida de rabo’ foi violenta, acredito eu. E tenho certeza que o trânsito da
Avenida do estado não será tão brevemente interrompido.
Nessa brincadeira
de serem rebeldes, muitos felizardos tiveram seus pequenos, porém valiosos
momentos de fama, protagonistas ou coadjuvantes. Logo, o objetivo foi
alcançado. Afinal, as pessoas querem, precisam, e não param até serem notadas.
Uma pessoa que se envolve com duas pessoas que, juntas,
formam um casal, o que quer?
Uma pessoa que mente pra todos e pra si mesmo, o que quer?
Uma pessoa que faz escândalos sem fundamentos, o que quer?
R: Brilhar, RS!
Isso faz parte da
essência humana e, para mim, foi importante acentuar.
E outra... Nem tudo que é desnecessário é inútil, afinal
pode ser válido. Logo, o desnecessário se torna parcialmente necessário.
Portanto, é necessário ser desnecessário para que algumas
coisas se tornem uteis.
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