Isso, normalmente, acontece quando você tem um filho, então você fica responsável por essa criança. Não tenho filho, literalmente. Mas é quase isso.
E eu me senti assim. Me senti feito uma mãe. Me senti totalmente responsável por aquela vida.
Aquela vida que estava por um triz. Então me senti feito uma mãe desnaturada, e que, como sempre, tinha feito tudo errado. E que minha inconsequência tinha dado fim uma vida que precisava de mim para continuar. Isso alimentou uma auto destruição interna que só queria que tudo parasse.
Ver aquela vida, agonizando durante a noite inteira e não poder, naquele momento, fazer algo... Sim, foi uma sensação horrível. Basicamente, de ser inútil.
A unica coisa que eu podia fazer naquele momento, era esperar e orar pra que nada de ruim acontecesse. E foi o que eu fiz, durante a noite inteira.
A noite mais longa de minha vida.
Eu não podia dormir, pra não correr o risco de acordar e me deparar com o fim. E o celular não deixou, a soneca despertava a cada 15 min. Em algumas vezes me pegava acordando, assustada, mas nada tinha mudado. Nem para melhor, nem para pior.
A sol nasceu e eu não podia mais esperar. Mas tem essa merda de 'horário comercial', que é só depois de tal momento que as pessoas começam a viver... esperei.
E enfim me senti útil. Eu Sabia que deixando ela ali, seria melhor que em meus braços irresponsáveis.
_ Pode ser fatal, mas não vai ser fatal, minha senhora.
_Não se sabe...
_ Eu sei. E confio em você.
Agora era só esperar.
"As coisas vão mudar, vou ser uma mãe melhor agora", essa era eu renovando minhas decisões perante a situação.
Mas como renovar uma decisão sobre algo que não existe mais?
Ai se vê que durante todo o tempo você esta renovando a decisão. Porque nunca foi realmente decidida. Mas e agora? E se acabar?.... e se?
Não preciso de um erro fatal pra entender que agora é que tem que ser. Eu já sei.
E eu sabia que ficar tudo bem, independente de como fosse esse 'bem'.
Depois de uma noite, melhor dormida, meu telefone toca.
"Alô é a Taliyta?"
Bom, nessa hora o coração vai a mil, afinal a noticia poderia ser qualquer uma.
Mas foi a que eu precisava ouvir.
"Ela esta bem, já teve alta."
"Obrigada! Obrigada!"
"De nada", Mas na realidade eu estava falando com o universo.
Fui até lá...
Chegue e ouvi... o som mais lindo dela.
Foi como ser mãe de primeira viagem, ouvir o primeiro choro do bebe, ao nascer, e ver que deu tudo certo.... que ele respirou. Que esta bem que está saudável.
Misturei, em meu semblante a expressão do sorriso e do choro como resposta aquela felicidade única.
Desculpe!
Obrigada!
Seja bem vinda, de novo, Thea!

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