É uma pena
Eu podia te levar na praça perto de casa todos os domingo.
A gente ia se divertir sem nem perceber, insistiríamos no nosso futebol de menina e depois voltaríamos pra casa.
Com toda certeza eu iria querer saber da sua vida diária, mas só se você quisesse me contar. Porém, eu sempre iria te perguntar. Coisas corriqueiras, pois são as coisas que mais acontecem na vida.
Nem devíamos chama-las assim. Na realidade essa palavras nem deviam existir.
Depois eu ia te pedir um beijo e ver você me olhando com aqueles olhos de criança.
Fazer piada com suas síndromes.
Arrumar uma jeitinho romântico pra mentir e dizer que estou com fome da 'sua comida'.
Nossa, eu ia te agarrar tão forte por trás quando estivesse fazendo nosso miojo.
Depois de comer iriamos deitar aos poucos ao lado da panela que deixamos em cima da cama mesmo, por pura preguiça de sair de perto. Porque se você fosse comigo eu iria numa boa.
Ai eu ia te beijar sem pedir mesmo. Não só sua boca mas seu corpo inteiro.
Faríamos amor até a noite chegar.
Cochilaríamos sem querer.
Depois a gente ia acordar com sua mãe ligando pra perguntar se ia voltar ou não.
Perceberíamos que nossos corpos estavam grudados um no outro.
'Não! Você não vai sem antes tomar um banho comigo, amor.'
Então vem o medo do metrô fechar e sua mãe nunca mais te deixar passar os domingos comigo.
'Pega logo a toalha menina! Cê tem que ir pra casa!'
Daríamos passadas mais lentas do mundo até a estação.
'Foda-se a sociedade, ainda tenho alguns minutos pra te beijar aqui antes de passar a catraca'
Ai eu ficaria te olhando descer a escada rolante até sua cabeça sair de vista. E mais um pouco, na expectativa de te ver voltar.
Mas você não pode.
Sim, eu já tinha fantasiado isso.
E isso não é nenhum décimo do que eu pensei em uma das várias vezes que eu parei pra pensar em nós.
Na realidade todos os domingo eu penso em como tudo seria perfeito se você aceitasse a gente.
Que pena, mina.
Eram só os domingo... Só os domingos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário